O ovo de velociraptor e a gestão de crises

Luísa Laval

Nesta semana participei de um curso sobre gestão de crises em uma das principais escolas de negócios de São Paulo. Surge a primeira pergunta: que tipo de crise? Financeira? Midiática? Estrutural? Obviamente, como sou jornalista, focamos no lado comunicativo e como responder no timing e tom adequado aos tsunamis que podem atingir uma organização quando surgem questionamentos na opinião pública.

Mas o mais interessante é que o professor, um especialista respeitado mundialmente em crises, reforçava: não adianta querer comunicar algo que não se vive dentro da instituição. Assim, toda crise midiática tem início no que chama de “ovo de velociraptor”: algo que era pequeno e fácil de eliminar ao princípio, mas que com o tempo cresceu e se tornou praticamente impossível de capturar.

Dentre as várias provocações do curso, me chamou particularmente a atenção a pergunta de um dos gestores da escola de negócios, abrindo o coração sobre seu ovo de dinossauro: “Como conseguir mais professoras? Sabemos que é positivo ter mais mulheres, mas temos muita dificuldade de encontrar pessoas no mercado”.

A resposta do professor foi feita no formato de perguntas: “Claro que a proporção de mulheres no mercado financeiro ainda é menor, mas será que realmente não existe nenhuma capaz de assumir uma cadeira de professora? Vocês já escutaram o que elas procuram? Ou apenas usam as mesmas táticas para conseguir professores? Se há menos mulheres, temos que pagá-las melhor, ou oferecer maior flexibilidade ou desenvolvimento de carreira”.

A pergunta do gestor me pareceu um bom sinal da preocupação de conseguir maior diversidade nas organizações. A resposta, melhor ainda: saber que a diversidade também deve ocorrer na linguagem com que se fala com cada funcionário, e não apenas a repetição de um modelo que serve para uma maioria, mas na prática ignora as diferenças no lugar de valorizá-las.

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