Roupa suja se lavava em casa

Beth Moreira

Quem entra em uma loja achando que vai comparar modelos, ouvir prós e contras e sair com a entrega marcada, descobre rápido que o jogo mudou. E isso não é impressão de uma tarde ruim: em uma semana, a busca me levou a sete lojas diferentes. Sete.

Primeiro vem o básico: falta produto. Quando tem, falta variedade. Aí chega a parte que deveria ser simples e virou obstáculo: entrega. Prazo longo e pouca flexibilidade. Em pleno mundo em que quase tudo promete rapidez, comprar um eletrodoméstico parece uma negociação com regras antigas e pouca margem para combinar.

Mas o que mais chama atenção não é só o estoque curto ou a logística travada. É a falta de vontade de vender – o feijão com arroz: entender a necessidade, sugerir alternativas, procurar em outra unidade, explicar a diferença entre modelos, tentar segurar a conversa antes de ela morrer. Em vez disso, muitas vezes o atendimento vem com um ar de “é o que tem”. E o mais curioso: nem o argumento que costuma destravar uma venda – o pagamento à vista – parece fazer diferença. A compra não flui.

A falta de interesse na venda não combina com o atual contexto do varejo brasileiro, que atravessa um momento difícil: empresas endividadas, algumas em recuperação judicial, crédito caro, custos altos, consumo mais cauteloso. Tudo isso afeta a operação, o estoque, a equipe, a logística – e a confiança de quem está do lado de dentro do balcão. Só que, do lado de fora, a experiência vira outra coisa: o cliente entra decidido e sai cansado.

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