Trump se cala sobre Flávio

Thais Porsch

O segundo turno da eleição presidencial no Brasil está batendo à porta, mas o silêncio de uma certa figura política permanece ensurdecedor: por que Donald Trump ainda não apoiou publicamente a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL)? Como mostrou o Washington Post, para algumas fontes da própria Casa Branca, Trump deve permanecer calado até um veredito.

A primeira razão – e a mais simples – é a de que o mandatário está com foco nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que ocorrem em 3 de novembro. Quase todos os dias das últimas semanas, Trump tem participado de comícios pelo país, buscando angariar apoio para os candidatos republicanos. A missão é manter a maioria conservadora no Congresso, mas os altos preços dos combustíveis, uma inflação elevada e taxas de juros mais altas o colocam em uma posição complicada frente ao eleitor.

Perguntado recentemente por repórteres sobre as eleições brasileiras, ele evitou citar apoio a Flávio, mas disse acompanhar a eleição “de perto”.

A cautela é interessante porque, nos últimos anos, Trump declarou apoio a alguns candidatos da direita em eleições por todo o mundo e chegou, no caso da eleição legislativa argentina, a vincular a continuidade do apoio financeiro americano ao país ao resultado das urnas. Tudo isso no momento em que a América Latina se volta cada vez mais à direita – casos recentes de Colômbia e Peru, por exemplo.

Segundo o jornal Washington Post, a decisão de manter Trump “afastado” da campanha de Flávio foi tomada tanto por integrantes da Casa Branca quanto por aliados do próprio senador brasileiro. O jornal pontuou que, quando Flávio visitou Trump na Casa Branca no começo deste ano, a equipe do senador já havia decidido que não pediria o apoio do republicano. A preocupação, segundo as fontes, está ligada principalmente à tentativa de Lula (PT) de colocar a questão da “soberania nacional” no centro da disputa eleitoral.

“O pensamento era: ‘Fiquem quietos’”, disse um assessor, que falou sob condição de anonimato para discutir o pensamento do governo. “Se um apoio for contraproducente, não o deem.”

As eleições acontecem também à sombra da presença cada vez maior dos EUA na América do Sul para, de acordo com Washington, combater o tráfico de drogas. O Departamento de Estado americano já classificou as facções CV e PCC como terroristas, e o New York Times informou que os EUA estão enviando várias centenas de soldados do Exército para treinar e realizar exercícios com forças locais latino-americanas.

O post Trump se cala sobre Flávio apareceu primeiro em Broadcast – O mercado financeiro em tempo real.