Por Elisa Calmon, Altamiro Silva Junior e Cynthia Decloedt
No toque de campainha que marcou a esperada privatização da Copasa esta semana, uma ausência chamou atenção: Romeu Zema, que deixou o governo de Minas Gerais em abril para disputar a Presidência da República, não participou da cerimônia realizada na B3.
O assunto apareceu no discurso do atual governador Mateus Simões, que era vice de Zema. Segundo ele, foi o próprio político que decidiu não comparecer ao evento. “Mandei uma mensagem ao ex-governador Romeu Zema, que resolveu não vir hoje. Ele disse que o momento era meu, já que conduzi esse processo desde o começo”, afirmou.
A privatização da Copasa esteve entre as principais bandeiras defendidas por Zema desde que assumiu o governo mineiro, em 2019. O plano era fazer no primeiro trimestre deste ano. Mas, com alguns percalços pelo caminho, a conclusão da operação acabou ficando para o apagar das luzes do seu segundo mandato.
No estilo café com leite do setor de saneamento, a comparação com a Sabesp acompanhou toda a operação. As duas maiores oferta de saneamento via bolsa realizadas no País tiveram características semelhantes. Nos dois casos, também, a Equatorial foi escolhida como investidora de referência sem enfrentar concorrência no processo.
A diferença ficou pelo montante final: na operação paulista, foram movimentados cerca de R$ 15 bilhões. Já a venda da Copasa levantou pouco mais de R$ 8 bilhões.
O timing da operação mineira assim como seu uso político, porém, contrasta com o da Sabesp. A privatização da companhia paulista foi concluída em julho de 2024, ainda no início do primeiro mandato de Tarcísio de Freitas. O governador participou do toque de campainha na B3 e transformou a operação em uma das principais vitrines de sua gestão.
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